
Cada um de nós tem uma idéia do que é e do que não é perigoso, mas quando se tenta ser mais específico, pode ser muito difícil fazer uma definição clara. Nesse sentido é quase uma grande arte: “eu não sei muito a esse propósito mas sei o que eu gosto”; Passei a maior parte dos últimos dois anos falando com pais, professores, e crianças sobre o perigo, eu posso dizer com alguma certeza que não existem duas pessoas que consigam concordar com o que é perigoso. Um pai que não deixa seu filho escalar árvores pode se esquivar disso deixando sua criança “estacionada” na frente da televisão por duas horas ou a noite toda, e uma mãe que permite que seu filho passe o dia numa floresta com sua mochila, lanche e um rifle e no entanto não o deixa atravessar uma alameda sozinho. Nossa percepção do perigo é tão pessoal quanto nossas fobias e freqüentemente irracional. Estas percepções dos riscos relativos a várias atividades conduzem à tomada de decisão baseada no medo. Não é apenas a eliminação ou remoção do que consideramos que eventualmente possa vir a ser um risco, é o que passamos a perceber enquanto " razoável." O medo da responsabilidade faz com que nós comecemos a perceber estas atividades importantes como suspeitas, apesar do fato de um estudo feito demostrar que quanto mais ativas as crianças são durante a infância, melhor enfrentam sua escolaridade. O filósofo alemão Goethe disse uma vez que, " Os perigos da vida são infinitos, e entre a segurança." Impedindo que as crianças manipulem o espaço a seu redor, escalando árvores, e produzam com suas próprias duas mãos, nós estamos lhes negando as experiências que servem como alicerces e fundações para seu gênio, a faculdade criadora, e a perseverança. Recebo com freqüência perguntas pela rádio ou programas na tv de incrédulo que questionam o benefício em deixar uma criança lamber uma bateria de 9 volts, e o que é mais surpreendente é a surpresa por nós termos uma resposta válida (isso mostra as crianças que o gosto é um sinal elétrico emitido de nossas lingüetas a nossos cérebros, e que nós podemos transmitir a detecção química normal de nossas papilas gustativas e as estimular diretamente). Isso é verdade para cada tópico em nosso livro, é igualmente verdadeiro que para quase toda a atividade que você pode pensar, mas quando eu digo isso, as pessoas tiram rapidamente suas conclusões dizendo que eu estaria sugerindo dar as crianças facas para se cortarem. Isto porque nós somos programados para tomar coisas a seus extremos ilógicos. Infelizmente, sempre que tomamos as coisas a seus extremos ilógicos, nós concentramos sobre as piores hipóteses sem considerar o quão improvável pode ser. Sim, deixar as crianças livres de explorar seu ambiente pode trazer o risco deles se ferirem, mas quais as chances de ser um ferimento grave? Estatisticamente, é verdade que a cada ano um número significativo de crianças vão parar no hospital em conseqüência de brincadeiras, mas se compararmos esse número ao número de crianças que não vão parar no hospital se transforma num número estatisticamente insignificante. Do mesmo modo, ensinando a uma criança como avaliar os riscos de uma possível queimadura, há de ser grave? Os ferimentos pequenos são parte da aprendizagem e nós precisamos de os tratar como uma oportunidade, no qual se pode aprender sobre um evento, se ele deve ser evitado custe o que custar, pode resultar numa infância perfeitamente segura é uma vida adulta apática e desestimulante.
Tradução: SDSM, fonte original Gever Tully
1 comentários:
Adorei o artigo e o tema. Me chamou a atenção, pois sempre relutamos em nao deixar que a criança se aproxime do que pra nos adultos significa perigo.Muito bom e articulado. Aproveito pra parabenizar pelo blog.
Abraços
Rubens Prado
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